sexta-feira, 19 de junho de 2015

Sobre Marcha para Jesus e Parada LGBT

                
                        Na primeira semana deste mês ocorreu, num curto espaço de tempo, a Marcha para Jesus e a Parada LGBT. Mas antes de dar as minhas reais considerações, gostaria de compartilhar com vocês um conceito que aprendi na minha primeira pós-graduação.

                   O conceito é o de minorias majoritárias: grupos inseridos na sociedade aos quais são tidos como marginais, mas aos poucos, vão criando espaço e voz na sociedade de tal forma, que acabam se tornando maioria e assim a sociedade começa a enxergar e dar ouvidos a esses grupos.

                    Vou colocar os quatros principais:  mulheres, negros, evangélicos e lgbtts (pois se você não é homem, branco, pai de família, hétero e católico, você é marginal para a sociedade).

Voltando ao tema deste post, tanto os evangélicos como os lgbtts são essas minorias que vem crescendo na nossa sociedade nos últimos vinte anos. A diferença é que a grande mídia não sabe fazer conta de matemática ainda pois sempre diminui a quantidade de participantes de tais eventos para não incitar ao povo de fazer parte deste, de tão marginais que são para uma sociedade tão familiar.

Mas o que vi nessa semana foi tão desrespeitoso e tão vago com relação aos ataques que foram feitos a frente católica e evangélicas, principalmente a pessoas que simplesmente deram sua opinião e cumpriram com o seu papel de cidadãos, que verdadeiramente concluo que a frente lgbt aqui no nosso pais vem com o intuito de punir ao invés de educar como ocorre nos demais países; pois eu nunca vi – até o presente momento- nenhum outro país ter essa briga tão ferrenha com relação a esses assuntos.

O que muita gente precisa entender é que nem todo cristão é um Marco Feliciano em potencial e que a Bíblia não fala de homossexualidade apenas em Levítico 18:22. Se a frente lgbt não quer que a sociedade os enxergue de forma caricata, não enxergue os demais da mesma forma. Está mais do que na hora de todo mundo parar de se colocar no papel de coitadinho e logo em seguida, praticar a pedagogia do oprimido.

 E outra coisa que precisamos compreender de uma vez por todas, é que todos os direitos que essas minorias estão exigindo já estão na nossa Constituição; basta querer ir atrás. Compreendo e tenho para mim que, na nossa Constituição, os nossos direitos se encontram nas entrelinhas; mas estão ali (até mesmo porque, um conjunto de leis quaisquer é composto de deveres e direitos). Vai demorar um pouco mais para fazer acontecer nossos direitos? Vai!  Mas, se é isso que queremos de verdade, independente da minoria na qual encaixamos, precisamos fazer acontecer e valer dos nossos direitos.

Particularmente, achei desnecessária a forma de manifestação da transexual posta numa cruz. Com tantas maneiras de se chamar atenção, precisava desta? Sabendo que iria ofender milhares de pessoas, qual o real intuito de tudo isso? Se era mídia, o objetivo foi alcançado em gênero, número e grau.

Me consola saber que os “maiores críticos” dessa exposição foram homossexuais, católicos e, principalmente, ateus (sim, eu tenho amigos ateus, risos) !!!

Chamou muita a minha atenção um grupo de evangélicos que marcou presença nesse evento, pregando que Jesus cura a homofobia e que era necessário que a igreja estar ali (pois o papel de todo cristão é mostrar um Cristo acessível a todos, em todos os lugares; principalmente, em lugares em que a sociedade considera marginal). E é por isso que eu escrevo este post: para mostrar que é possível coexistir com as nossas diferenças com respeito e educação. Pois que faz a obra em nossas vidas não são homens; mas Deus. Somos apenas instrumentos a disposição do Reino.

Só para finalizar, vamos acabar com essa hipocrisia de pregar, falar e pedir amor. Amor é necessário, mas não é tudo. Deus não é só amor e como disse Felipe Cruz, do canal Dois Dedos de Teologia:
- “Deus é amor, mas não é a Hello Kitty”.

Palavras de ordem desse post: tolerância, coexistência e respeito mútuo.

Críticas construtivas, sugestões de temas, elogios e o mais, deixe nos comentários ou mande um e-mail para: nemtaoobvioassim@gmail.com

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